20.2.04

Carnamerda

E sobre a desgraça chamada carnaval, feriado de merda que me faz ganhar menos dinheiro, um texto muito engraçado (e verdadeiro) de Sérgio Rodrigues (merci, Madame).

Estou tomando as medidas necessárias para tentar passar o feriado com poucas lembranças de bundas, peitões e batuques. Tomara que eu consiga. Meu nível de alienação está tão alto, que, em certos aspectos, me orgulho deste suado trabalho de anos para me desligar de uma realidade nojenta, que não me ajuda em nada.

Mas se tem uma coisa que odeio tanto quanto o Carnaval, é o pavoroso 450º aniversário desse buraco terceiro-(i)mundista de cidade que cisma em colocar-se no rol das grandes capitais mundiais ou no circuito Elizabeth Arden. Eu não aguento mais referências a São Paulo do gênero: "vejam só, que terra mais tolerante! só aqui há o perfeito convívio entre índios, negros e imigrantes" (ui, rimou! acho que também posso sambaenredar...). Daí, tascam umas imagens-chavão do japonês abraçando um negão. Do portuga dando a mão pro carcamano. Do (aimeucu!) árabe amicíssimo do judeu.

E agora, filhinho, meu grande pesadelo se tornará realidade, com a celebração de São Paulo no Carnaval anêmico do Anhembi. Pensando na mesma linha do Sérgio Rodrigues, imagine só a tragédia que não serão os sambas-enredos. Aquela voz do puxador (?) sempre cansada, sempre no mesmo tom. Um carro alegórico com um bandeirante fedido. Uma ala de baianas-índias. Uma porta-bandeira vestida de gueixa e um mestre-sala batucando uma pizza. Uma celebrity à la Anchieta.