26.2.04

Epifanias truqueiras

(ou: "Não se preocupe, querido, você é um merda e sempre será. Caso contrário não precisaria disso e teria a idéia por você mesmo. Amém.")

Não sei não se vale a pena ser lido. É interessante o debate sobre lolitismo, mas muito blablalesco. Mulher engajada me cansa, ainda mais agora que sinto que meu empenho em alienação tem dado muito certo. Um dia consigo explicar isso (da alienação). O texto dá a impressão de garota-raivosa e, francamente, o rótulo de bitch já foi usado demais.

Mesmo assim, achei esse trecho engraçado:

It allows for the entire career of Liv Tyler, who in Heavy, Stealing Beauty, that thing you do! and probably in as many more roles as can possibly tolerate this act, plays the virginal sweetheart, the very very very nice girl with coltish gracelessness and unscathed beauty, whose mere presence irradiates everyone around her, whose luminescence wakes up the long-dead urges and makes people want, in each of those respective films, to go to cooking school, to face death with dignity or to take up improvisational jazz drumming.

Escapando de lolitismo e afins, tomando um outro caminho, não é ridículo como só assistir a um filme pode fazer com que você tenha grandes inspirações para grandes feitos ou mesmo para melhora na qualidade da sua vida-de-merda? Desculpe. Eu adoro montar palavras com hífens. É tipo roupa. Combinando conjuntinhos. Ha.

Voltando. Já não perdeu as contas de quantas vezes você assistiu a filmes e saiu do cinema pensando:

"Vou renovar meu guarda-roupa" (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

"Ano que vem parto para a Itália e f-o-d-a-s-e" (Beleza Roubada)

"Vou manter um diário" (Sei lá. Vários)

"Não seria incrível guardar objetos em uma cápsula do tempo e enterrá-la?" (Beverly Hills 90210 está na minha cabeça agora, mas NÃO É ISSO, OQUEI?? Malditos.)

"Eu deveria sair mais" (Vários)

"Será?" (vendo "Esquadrão da Moda", única exceção aqui, e veja se abafa, mas às vezes acho que a Susannah e a Trini podem mudar a minha vida)

"Hum, deve ser muito fácil escrever. Assim que chegar em casa vou pegar minha máquina de escrever (porque é mais estiloso do que um computador) e vou deixar fluir. Um pouco a cada dia. Logo tenho um livro pronto. Daí só falta plantar uma árvore. E depois parir um pirralho". (Perdi as contas)

?

Mas então você chega em casa. E sua geladeira chama. E seu sofá é muito convidativo. E o telefone toca. E talvez você tenha alguém com quem trocar secreções e excreções. E amanhã você precisa acordar particularmente mais cedo. Então fica para amanhã à noite. Senão para a próxima. Para a próxima. Para a próxima. Até nunca. Ou até você ver aquele filme de novo e pensar se você já não perdeu o trem.

(Que merda. Acabei de lembrar que resolvi fazer "cooking school" depois de uma epifania truqueira dessas. Agora olha eu aqui, adorando, mas bem me fodendo.)