16.2.04

Meet the Gyllenhaals


Na coletiva: "Maggie, você já pensou em in-ces-to?"


Ok. Eu já tinha visto a tal Maggie Gyllenhal por aí. E já tinha ouvido falar outro tanto. Mas não conectava o nome à cara. Do Jake Gyllenhaal, eu nem sabia da existência.

Daí, por alguma obra do acaso, consegui alugar dois filmes com os dois irmãos. Ambos fazendo papéis de loucos. Secretária (vou dizer que lembrava vagamente de recomendações de amigos, mas o que realmente me fez pegar o filme na mão foi aquela maravilhosa capa com as pernas vestidas de meia de seda) e Donnie Darko. Do último, também já tinha ouvido comentários, mas mal podia imaginar do que se tratava e quais os efeitos que teria sobre a minha mente totalmente forrada de estrume de vaca e qq outro humus, de tão fértil.


Bend it like Gyllenhaal (ou a dublê de pernas)


Vou falar primeiro de Secretária, que é bom, mas não causou a mesma impressão que Donnie Darko. Talvez porque eu o tenha visto depois... Mas o fato é que o filme demorou um pouco para realmente me prender. Ferimentos auto-inflingidos são sempre interessantes. Eu sempre me pergunto por que motivos um fulano faz isso. Eu bem que queria ter a coragem, mas nunca fui além de auto-tabefes e auto-arranhões no pico da insuportabilidade adolescente.

Na minha opinião, o filme fica realmente divertido quando ela descobre o potencial que tem para ser a passiva/dominada. E os belos tapões do James Spader são algo. E daí em diante, sim... fica tudo muito interessante. Até esqueço que James Spader já foi Tuff Turf, proto-yuppie em Pretty in Pink e perdido naquele Crash que eu odeio tanto.


Ói! Donnie Darko está escrito com a mesma fonte da minha tattoo barrigal


Mas como eu disse, minha cabeça já estava dominada por Donnie Darko. Tipo obssessão. Fiquei estragada, alucinada, babando. Que putaroteirodocaralho. Que referência linda ao E.T. Drew Barrymore é péssima atriz, mas mesmo assim eu adoro. E a trilha sonora?

Vai tomar no cu.

The Killing Moon e Under The Milky Way são duas das músicas que mais me dão calafrios no mundo. Outra delas é The Crystal Lake, do Grandaddy, mas isso não vem ao caso agora. O que interessa é que eu não sentia mais esses calafrios desde os 17/18 anos, quando eu as ouvia e ao mesmo tempo vivia e esperava um monte de coisas que aconteceram ou nunca chegaram a acontecer. Pura nostalgia. Coração acelerando e parando por um segundo. Conseguia ouvir as duas músicas retumbando no meu ouvido e nem estava sob efeito de droga alguma: o pianinho de The Killing Moon. A gaita de fole de Under The Milky Way. Coisas que já passavam batidas pelo meu ouvido viciado e poluído.

Jake Gyllenhaal, por sua vez, merece um parágrafo à parte. Bom o moleque, não? Bom ator. E sem dúvida nenhuma ele foi responsável pelo elemento pornográfico do filme. Ahn? Um je ne sais quoi. Talvez a boca. Ou a pintinha. Ou o jeito meio tenso como ele andava. Ou como ele esfaqueava o espelho ou a cara que fazia quando estava sonâmbulo. Uff. Se eu fosse a terapeuta dele, levaria o hipnotismo pra outro lado. Nham. Sortuda essa Kirsten Dunst, viu?

Eu também nunca tinha ouvido falar em Richard Kelly, mas doravante (haha) prometo prestar atenção em tudo o que ele fizer. E ao que parece, ele já está fazendo. E todos os filmes deles envolvem coisas que as pessoas "recebem" e que mudam completamente suas vidas? Hum.

Sim. Também tem isso. O site do Donnie Darko é tão fodedor-de-mentes quanto o filme. Dá uma certa aflição às vezes, especialmente se vc for apressadinho. Mas acalme-se e veja o filme primeiro. Vai ser mais compreensível. Um pouquinho mais.

Pra brincar de um tapinha não dói, clique aqui.

Pra conferir o que a Kirsten Dunst deve ter todo dia, baba beibe.

E finalmente, pra sentir calafrios, clique nas musiquinhas abaixo.

The Killing Moon - Echo & the Bunnymen

Under the Milky Way - The Church