8.5.04

Não fumo há quase duas semanas. Não vou contar as horas e os minutos porque acho que não tem cabimento. Foi parte de uma *promessa*. Coisas que o desespero faz, sabe? Reminiscências católicas também. No pico da crise, negociamos com Deus ou com seus intermediários (eu sempre preferi os santos aos anjos).

Tudo vai bem até agora. Não tenho saído muito, o que facilita. Quando saio, fico na companhia de maconheiros anti-tabagistas. Assim tenho um consolo, pelo menos.

Parece impossível, mas não tenho sentido vontade de fumar depois das refeições. Ok. Eu não tive muitas "refeições" ultimamente, só umas crises de tentar colocar toda a geladeira dentro da boca. Fico tão boa-constrictor que não há nem mesmo espaço pra fumaça.

Às vezes, só às vezes, passo por algum fumante na rua e respiro bem fundo, com saudades.

Hoje, no entanto, tive uma recaída. Em sonhos. Ex-fumantes dizem que isso é comum no primeiro estágio.

Sonhei que estava metida num táxi com muitos homens ao meu lado. Meu pai era um deles. O taxista via que eu estava estressada e me oferecia um bastãozinho de diabo pra relaxar. Eu, num momento what-the-hell, aceitei e traguei com muito prazer.

Foi só então que me dei conta que arruinava minha promessa. Que era uma desonrada, suja e impura. E joguei o cigarro pela janela. E acordei me sentindo mal, como se realmente tivesse fumado.

Que coisa mais castradora.

(Será que narguilé está fora de cogitação? Fumei num há pouco tempo e foi encantador. Tabaco + maçãs. *ai*)