15.6.04

A Nina entra para os anais da História por ter me desarmado para Ana C. É, Ana Cê. Já estou me fazendo de íntima. Em menos de 24 horas (e conte aí 12 horas bem dormidas, mais 1h entre os dois banhos que tomei nesse ínterim e outras 5 horas na cozinha) li 97 páginas.

Tá. Não é um recorde se você gosta de ler rápido, mas eu normalmente levo tempo pra tudo. E quando vou rápido é um sinal muito contraditório: sinal que eu acabei de encontrar o último livro-da-minha-vida e que minha respiração depende de cada página virada, ASSIM COMO um sinal de que logo que eu acabá-lo vou me sentir extremamente sem força de viver. Nem que por uns cinco segundos e eu lembrar que, porra, tem outro livro me esperando.

Enfim. Outra clara pista de que eu realmente gostei de um livro é quando ele fica cheio de orelhas viradas. Eu parei de rabiscar. Agora faço dobradura. E esse, Nina, tem vários. Poemas inteiros. Igual a esse:

Aventura na Casa Atarracada

Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.


E versos soltos, tipo: (e o amor se germanizando todo).

Não é? Eu gosto assim também.