5.10.04

E então eu rumei para Aberdeen. Outro vôo rápido. Leitura de avião: French Kissing, ou como os britânicos estão se rendendo ao hábito francês de cumprimentarem-se com beijinhos. Ok. Mas eu já estava treinada só para handshakes.

Em Aberdeen eu fui retirada por um amigo. Fazia sol. E um friozinho bom. Seguimos mais para o norte. Um lugar bucolíssimo e totalmente remoto. Cheio de vizinhos bisbilhoteiros, de sotaque que merece legendas e tiradinhas espertas. Bom para psicopatas. E para mim também. E foi lá onde eu fiquei a maior parte do tempo, com esticadas para Aberdeen para beber, comer ou ir ao cinema (não conto, não vale).

A viagem também incluiu dois fins de semana em Edimburgo. Desta vez não vi Glasgow, mas isso não é problema, porque Edimburgo tem o poder de tirar minha atenção de qualquer outra coisa. É a cidade mais linda do mundo, na minha "opiniã" de viajadíssima, mas foda-se. É sim.

Desta vez eu fiquei do lado mais 'moderno' da cidade, mas passei perto do albergue me me acolheu antes, na Royal Mile. Fui a dois jogos de futebol com fãs dos Hibernians (o primeiro versus Dundee e o segundo versus Hearts). Pode rir, mas eu fiz muitos programas heteros, o que é bom, já que eu achei tudo ótimo (sorte dos caras) e já que eu, na qualidade de hetERRA, preciso me conformar com as atividades praticadas pela minha espécie.

Em Edimburgo fiz jantar para amigos, que foram muito educados e rasparam os pratos. Fui beber em pubs. Fui comer em lojinhas. Fui confundida com italiana umas 3 vezes pelo menos. Brinquei com cachorros. Fui a churrasco em parque particular. Joguei frisbee até ficar completamente desarticulada. Fui a um lugar 'indie' e cheguei a conclusão que: 1: estou velha e sem paciência; 2) existem clones de personalidades indies paulistas na Escócia. Ouvi horrores de Franz Ferdinand. Vi a queima de fogos no Castelo de Edimburgo ao som de uma orquestra. Chovia e estava nublado, mas eu achei lindo mesmo assim. Fiquei chocada ao perceber que às 22h30 a maior parte dos restaurantes estava fechando, mas dei sorte de encontrar um indiano com garçons petulantes. De novo, subestimei os poderes do curry e tive que beber dois litros de água junto. (Coca-Cola parecia ácido).

Fui pra Crieff, cidade que pariu Ewan McGregor, ficar num tipo de hotel-spa. Parecia mais piada do tipo quantos piscianos são necessários para trocar uma lâmpada? Haha. Ok, ok. Não apreciamos as facilidades do spa porque passamos a noite bebendo Cava. Também não consegui achar Ewan ou clones ou familiares próximos do sexo masculino porque já estava ameaçada de morte por essa minha cantilena.

Eu enchi o rabo de fish and chips, jaffa cakes, salmão pescado no rio do lado, irn bru, porcarias da Tesco e cerveja (por algum motivo eu era tratada como estrangeira exótica só porque pedia cerveja pelo nome exato). Comi também haggis, coisa que eu devia desde a última vez. Mais tarde soube que a Annix e a Cris também tinham se aventurado pela mesma praia. Concluímos que haggis é bom.

Fui introduzida a adicção pelo The League of Gentlemen. Simplesmente genial.

Fiz mais amigos.

Comprei e bebi muito uísque. Caubói, biu.

Parei de converter libra pra real logo que senti os primeiros surtos neuróticos.

Ouvi Billie Holiday com um solzinho calminho no carro. Quer dizer, um momento de sol, porque descobri que o tempo é totalmente esquizofrênico na Escócia. Em apenas uma hora de estrada você consegue ver sol, nuvens, chuvinha e neblina. Incrível. Tão variadinho que é difícil ficar entediada. Especialmente com uma paisagem deslumbrante na sua frente.

Passei pelas Highlands ouvindo Big Country, haha. E por Dundee e Perth.