1.10.04

Viu, heeeem? Minha "dança da chuva" funcionou e a temperatura baixou gloriosamente. Estava bem satisfeita com os 18º C, mas enquanto esperava bumba hoje na Consolation, para a minha consolação e delírio, o termômetro-truque acusava 14ºC e eu batia os dentes feliz. Meu casaquinho de couro paraguaio não estava dando conta do recado. E depois eu detonei uma gorda fatia de brie de meaux (président, TMB!) porque estava com uma fome digna de vítima da fome irlandesa. Diz que vai ser assim até domingo. Em uma palavra: lu-xo.

E o que mais?

Ah sim! Ando superorgulhosa da minha decrépita memória olfativa. Hoje eu finalmente senti o que é o cheiro de estrebaria, odor animal e afins. Meu bem, bebi um vinho fodão da Borgonha e fui apoiada por colegas quando disse que sentia cheiro de cocô nele. É isso aí. Merda de bicho seca. Só que estrebaria é a roupagem chique. E o vinho era muito bom, by the way.

Que mais?

Tenho devorado Paddy Clarke Ha Ha Ha, comprado junto com mais montão de second hand books numa cidade ovo escocesa. (Eu gosto de livro usado, é um sentimento assim mediúnico. Igual àquele de comprar disco véio na Benedito Calixto com dedicatórias 'te amo, porra. ass. Gomes' ou 'Adriana 1985'). Mas o negócio é o seguinte. Era o meu primeiro Roddy Doyle por assim dizer - já que ele não assina o conto dele no Finbar's Hotel - e a princípio eu detestei. Ok. Eu estava azeda, mas pensava que era mais um daqueles livros estilo pobre-menino-católico-pobre-e-fodido-e-sujo-da-Irlanda... Mas não é bem assim, não. É muito engraçado. E é muito fiel ao raciocínio infantil... E é muito perspicaz como crianças perspicazes sabem fazer. Sim, eu ando alérgica à crianças, mas não alérgica à criança em mim, que, digamos, ocupa cerca de 80% do meu cérebro. Então, eu recomendo.

E é só.