21.6.05

Algumas observações sobre a França, antes que eu me esqueça de tudo:

1) O nome para a terrível angústia, ânsia de vômito e ataques de pânico, seguidos de semanas de letargia e congelamento, chama-se "depressão pós-pouso" e já está mais do que provado que decolar de Guarulhos me deixa felicíssima, enquanto pousar no mesmo aeroporto me deixa desolada.

2) Eu não esperava um calor tão senegalês como o que eu experimentei em Bordeaux. 36º graus às 19h30. Voltei ao estilo carvão.

3) Deitei e rolei em foie gras e magrets. Bebi vinhos que jamais poderia pagar e que não paguei, claro.

4) Depois de comer muita coisa boa, você sente saudade da boa e velha porcaria, por isso eu e Mario comemos fish & chips e hambúrgueres com lágrimas nos olhos, às 23h, quando todos os restaurantes de Bordeaux estavam fechados, restando apenas um providencial pub inglês.

5) Bordeaux é meio feiosa. Saint Emilion e Cognac são lindas de morrer. Eu queria ter parado em Pau, mas esta charmosa cidade não estava em nosso roteiro. Too bad.

6) É meio frustrante quando você quer porque quer gastar seu francês xexelento, quando um local insiste em falar inglês com você. E totalmente inesperado também. Mas percebi que os franceses são ilógicos.

7) Havaianas a 18 euros?

8) Na França: "prefiro melão". Nunca mais vou esquecer de um certo "capuccino" de melão com creme batido e marsala que eu comi. Sublime, dentre tantas outras coisas sublimes.

9) Viajar em grupo. Viajei por acidente, a trabalho. Simplesmente não entendo quem o faz por lazer. É horripilante ter que viajar com gente que você não conhece e descobre tarde demais que não tolera, além de ter que aceitar democracias. Também não entendo quem gasta 300 euros em uma bebida, mas se recusa a dar gorjetas e gratificações de 10 euros. Eu hein.

10) Eu e Mario nos perdemos nos labirintos da Mollat, mas eu só trouxe um Asterix comigo. Um grande feito para uma compulsiva. Tudo bem. Se eu fosse fluente em francês provavelmente teria me prostituído com metade do staff pra levar uma pilha de livros comigo.

11) Dunas de Pyla. Duna o cacete. O negócio é um paredão assustador de areia. Cheguei quase no topo, com os pulmões todos doídos.

12) Ai que canseira de que o aroma de alcaçuz no vinho dá.

13) O poder do "degote". Eu nunca gostei de usar muito decote, sempre me senti meio constragida e aberta demais. Daí um belo dia você resolve superar seu complexo de tom boy e seu nome vira "tetas". Sua cara some e todo mundo se dirige diretamente para seu tórax. Chega a ser constrangedor. Tem gente que nem disfarça. Outros não aguentam e comentam (calaboooooca!). Mas o melhor de tudo é descobrir, mesmo tardiamente, que com tetas quase a mostra você consegue várias coisas sem muito esforço.

14) Last but not least, que alívio me desgarrar do grupo e voltar ao lado da Annix. Sério mesmo. Acho que minha DPP (depressão pós-pouso) teria sido gravíssima se ela não estivesse a dois bancos de distância, não tivesse conversado comigo boa parte do tempo e me avisado que tinha show do Morrissey na programação (who put the m in manchester).