10.7.05

*Salman explica*

Então o Salman Rushdie era meu terapeuta. O consultório era meio escuro, mas sem divãs. Eu estava sentada em um sofá, me irritando com toda a empáfia dele. O Salman tinha as perninhas cruzadas, a mão assim no queixo e girava a cadeira enquanto olhava para mim. No outro sofá um idiota que também fazia a terapia.

Daí Salman dispara: "Duvido que você traia o seu namorado."

Eu, irritadíssima: "Pois eu vou traí-lo agora mesmo, com esse cara aqui".

(o cara em questão era um horrível com roupa de moletom e uma cara de playboy com síndrome de Down, mas servia para os meus propósitos).

Entra a Byana e começa a ligar toda a aparelhagem. Ela disse que queria gravar tudo. Registrar e usar em algumas músicas (hmm, ok).

Eu disse pro idiota nem tentar me beijar na boca e que eu precisava de uma camisinha anti-alérgica, porque não merecia ficar em carne viva depois. Fina. E nojo, nojo, nojo. Mas eu tinha que seguir em frente. Culpa católica em forma de tsunami. Eu segurava as minhas lágrimas. Parecia um estupro consentido. Até que... o cara broxou. E eu fui a mais feliz porque provei pro Salman Rushdie que podia trair meu namorado, sim.

(os detalhes técnicos não eram culpa minha. amém!)

este pesadelo foi patrocinado por gin tônica.